Toda noite eu te abraço,
mas você não está ali.
Como posso abraçar alguém invisível,
alguém intocável, inatingível.
Pois é, inatingível.
É assim que te vejo, que te traço,
em um traçado torto, em um
traçado meu, singular.
Não sei poruqe te abraço, se não
sinto seus braços e se você não
quer sentir os meus, não dá
forma que eu quero te sentir.
Há uma grande, senão enorme diferença
entre o meu querer e o seu,
entre o seu não querer e o meu.
Por que mais uma vez a desilusão
assola o meu coração e o meu pensar,
fazendo-me crer que todos os meus sonhos
de ter ter, ou ter seja lá quem for,
são tolos, uma grande tolice?
Certa vez, você me disse que isso
parece um jogo de xadrez, mas é
engraçado, pois eu nunca o joguei,
só sei que um dos jogadores diz "cheque-mate".
No momento, se isso é realmente um jogo,
só quem está dizendo "cheque-mate" é você.
E por quê? Por que estou deixando isso acontecer?
Até onde isso vai?
Será que já não fomos longe demais?
Que estupidez achar, algumas vezes,
que algo tão insólito quanto um "nós" é possível,
é normal e o pior, que é bom
só se for nos poucos instantes em que dura.
Mas me pergunto: durar para que?
Tenho que te matar dentro de mim e
recomeçar buscando braços que me
envolvam com intensidade, com querer,
com amor e não por um simples desejo,
vaidade e egoísmo por não querer dividir
o seu eu comigo. Você não sabe o que está
perdendo não me amando e não se
deixando amar por mim...
Por mim, em 16/12/08.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
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