sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Pessoas, atos, atos, pessoas
Quem sou? Um grito desesperado ecoa dentro de mim sem respostas, sem consideração a minha angústia existencial.
Desistir de viver? Quem penso que sou para desistir de uma vida que não pertence a mim.
Ousadia?! Sou ousada mesmo, motivo pelo qual vivo numa corda-bamba, corda de nailon em que insisto em não cair, em viver agarrada nela, mesmo que com uma só das mãos.
Desespero é algo que domina os meus atos impulsivos.
Impulsividade esta que me leva para o fundo do fim do túnel.
O que colhi até agora, ou pior, o que plantei? Onde estão as sementes, os frutos? Só vejo folhas secas, páginas amarelas ou em branco, rastro de sangue de um coração crucificado, cravado de espinhos que transpassam a minha essência atormentada por ter e não ter, por acreditar que consegui e perder.
Deslizes insanos que sufocam o outro, o meu eu objetivado no outro.
Sede, esta sede medonha, para onde me levará?
Ao poço dos sonhos realizáveis, já que nos irrealizáveis já lancei todas as minhas moedas, moedas de lágrimas, lágrimas cinza, ao som do vento frio e ardente do arrependimento, este que teimo em sentir não porque goste, mas porque não consigo evitar por macroscopicamente inevitável quando ouço e sigo a voz da minha irracionalidade traduzida na melodia burra do meu coração.
Não quero mais querer.
Não quero mais desejar amar, amar, amar.
Deixa-me sentimento maldito de impotência!
Sentimento hipócrita de carência
Sentimento mesquinho e oculto de solidão.
Loucura, esta dorme comigo, é minha amiga (e que contradição) inimiga íntima.
Quero deixar de ser loucura, de viver loucuras, mas tenho medo de perder o sentido, de não ter sentido a minha vida de rotina.
Rotina em esperar algo novo, um "boom" que exploda a minha mesmice, que rasgue o meu véu, que rompa as barreiras do som do meu silêncio, que grita, grita e que ninguém que busco procura ouvir.
Busca, só quero alguém que me busque com toda a intensidade do seu ser, que me ame como nunca ningué ousou amar, que me queira com um querer inexplicável, mas paupável, que me sinta, sinta minha alma e faça parte dela.
Ame, que apenas e simplesmente me ame e me aceite como sou.
Será possível, Deus das criaturas, algo assim na terra dos miseráveis?

Por mim, em 01/10/02.

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